segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Visão subjetiva do ENEM

O Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) tem como objetivo avaliar a qualidade do ensino médio do Brasil e possibilitar a entrada de jovens às faculdades e universidades governamentais. Reconhecido pela extensão de suas questões, e dificuldade por respondê-las, os estudantes classificam-no como sinônimo de cansaço. São dois dias exaustivos de avaliação, que incluem todas as matérias curriculares e uma redação dissertativo-argumentativa, onde há necessidade de uma grande percepção para interpretar textos e expor ideias/opiniões.

 Ao término do exame, muitos alegam que falta tempo para a realização coerente de todas as questões. Afinal, somados os períodos temporais dos dois dias, têm-se 10 horas para responder às 180 questões, escrever a redação e preencher os gabaritos. Tirando-se uma hora para a realização destas outras tarefas, sobram 3 minutos para a realização de cada questão.  Pouco tempo?

O ENEM 2011 foi uma intercalação de questões complexas e simples, onde algumas questões exigiam um pouco mais de cuidado; e outras poderiam ser resolvidas em menos de dois minutos. Mantendo sempre a paciência, é possível realizar a prova no tempo estimado. Além de que, a extensão das questões e complexidade de palavras não interfere no resultado da avaliação de pessoas que estão habituadas a leitura e compreensão de textos.

Antes da realização do ENEM é necessário haver uma preparação; pois quem não se prepara para tal avaliação, que pode mudar todo o percurso de sua vida, não pode reclamar das regras e modos em que esta acontece. O ENEM serve para selecionar as pessoas, não somente pelo seu nível de inteligência, mas pela sua persistência, caráter e força de vontade. Desde que acreditemos, e estejamos preparados para a realização da prova, somos capazes de ter um bom aproveitamento até antes do tempo estimado.

sábado, 15 de outubro de 2011

Escrever sobre a escrita

Impressionante como os seres humanos conseguiram construir toda uma civilização complexada a partir da estrutural linguagem para facilitar a comunicação, e agora estão desvalorizando-a. Eles estão subestimando o poder das coisas simples, o poder de vinte seis letras; no caso dos brasileiros.

Não há nada errado ao preferir outros meios de lazer, mas a leitura é essencial. O apreço pelos livros, artigos, reportagens etc. é fundamental para uma boa qualidade de vida, para um bom diálogo e boas amizades. Tomar conhecimento de coisas novas e ter mais assuntos além dos rotineiros e comuns torna as pessoas cada vez maiores, mais sábias; e as aproxima da compreensão de Sócrates, “só sei que nada sei”.

O universo cresce a cada dia, assim como a escrita. Diariamente novas frases são formuladas e não será possível lembrar-se de todas, pois as frases são tão maiores do que o número de estrelas; ou de gotículas de água. A desvalorização dessa riqueza, tão fundamental e essencial para o entendimento de toda a sociedade humana, é triste.

O ser humano está acostumado a copiar, mas inovar/criar do zero já está se tornando algo complicado. A imaginação e inspiração estão tornando-se difíceis e inacessíveis. O novo já é antigo e o antigo é transformado em novo; mas um novo já utilizado, um novo já amarelado. O que restará quando a sociedade estiver alienada, sem livros, sem conhecimento, se os seres humanos precisassem voltar diariamente ao ponto zero e começar do início? Sem linguagem, sem escrita, sem repasse de informações, sem o que os deixa tão cômodos e confortáveis?

É necessário valorizar e apoiar a criatividade das crianças, tornando-os adultos responsáveis, maduros e escritores! Assim como é preciso repassar a ideia de cidades sustentáveis, preservação ambiental, economia elétrica etc., também é preciso repassar algo que é essencial e está sendo perdido lentamente, algo que já se tornou costume; mas que também pode sumir. A inspiração, o conhecimento, a criatividade, o saber, a opinião... A escrita.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os Sonacirema

Com algumas adaptações, transcrevo aqui um dos textos utilizados na disciplina de sociologia, para comentar a diversidade cultural e o etnocentrismo. 

"A cultura Sonacirema se caracteriza por uma economia de mercado altamente desenvolvida, que se beneficiou de um habitat cultural muito rico. Embora a maior parte do tempo das pessoas, nesta sociedade, seja devotada à ocupação econômica, uma grande porção de frutos destes trabalhos e uma considerável parte do dia são despendidas em atividades rituais. O foco destas atividades é o corpo humano, cuja aparência e saúde constituem a preocupação dominante de ethos deste povo. Embora tal tipo de preocupação não seja realmente pouco comum, seus aspectos cerimoniais e filosofias implícitas são únicas. A crença fundamental subjacente a todo o sistema parece ser a de que o corpo humano é feio, e que sua tendência natural é a debilidade e a doença. Encarcerado em tal corpo, a única esperança do homem é evitar estas características, através do uso de poderosas influências do ritual e de cerimônia. A maioria dos Sonacirema mostra tendências masoquistas bem definidas; como por exemplo, um ritual cotidiano realizado por homens que envolvem uma escarificação e laceração da superfície do rosto por meio de objeto cortante e cerimônias femininas especiais que ocorrem quatro vezes por mês lunar, em que as mulheres assam suas cabeças em pequenos fornos durante mais ou menos uma hora. Há jejuns rituais para fazer pessoas gordas ficarem magras, e banquetes cerimoniais para fazer pessoas magras ficarem gordas. Outros ritos são feitos para tornar maiores os seios das mulheres, se eles são pequenos, ou menores, se são grandes. Umas poucas mulheres que sofrem de quase inumado desenvolvimento são tão idolatradas que podem viver bem através de simples viagens de aldeia em aldeia, permitindo aos nativos admirá-las mediante uma taxa."

Créditos: Horace Minner

Esse texto é descrito como uma observação de fora sobre a tribo Sonacirema. Se invertermos esta palavra, o que muitos acharam que eram índios, são os americanos; nós, os Sorielisarb possuimos as mesmas práticas dos Sonacirema. A partir desse texto, podemos observar o quanto nossas práticas chocam e causam espanto quando observadas de fora, analisadas sem um contexto social. Devemos pensar nisso quando analisarmos outras culturas. Como podemos julgar as mulheres com pés de lótus, por exemplo, enquanto fritamos nossas cabeças com chapinha, secador etc.?
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